27.9.04



Lê-se e, à primeira, custa a acreditar. Mas, depois, percebe-se o resultado desta estatística, elaborada, decerto, por técnicos competentes que garantem a qualidade da informação contida nos folhetos de divulgação publicados pelas diferentes instituições comunitárias.

Refiro-me ao recente opúsculo intitulado Factos e números essenciais sobre a União Europeia, editado pela Comissão Europeia – Direcção-Geral Imprensa e Comunicação (Bruxelas 2004). Dois gráficos suscitaram a minha atenção; um, sobre o número de computadores pessoais por 100 habitantes em 2002; o outro, sobre o total de telemóveis pelo mesmo número de pessoas e em idêntico período.

Através deles fiquei a saber:

Em Espanha, 82% das pessoas possuem telemóvel; na Holanda apenas 74%

Em Espanha, 17% dos indivíduos têm um computador; na Holanda a cifra atinge os 43%.

O números são deveras curiosos, porque atestam uma das facetas da tal “mentalidade barroca” a que aludia Boaventura Sousa Santos num artigo recente (Visão, 9 de Setembro de 2004, p. 48). Como é óbvio, a estatística nada nos diz sobre a qualidade dos aparelhos em questão, mas eu, que sei um pouco de História, presumo que os holandeses não têm tantos telemóveis topo de gama como os espanhóis, enquanto estes não devem possuir computadores tão actualizados quanto aqueles.

Nem vale a pena inquirir -mas julgo que não será difícil adivinhar- quais os sites preferidos pelos cibernautas espanhóis e holandeses. Como é óbvio, também ninguém pode saber, por ser do domínio privado, as “razões” e “circunstâncias”que levam os holandeses e espanhóis a utilizarem o telemóvel. Suspeito, porém, que tanto num caso como noutro, não existam grandes similitudes.

Talvez esteja a ser preconceituoso, reconheço, mas não consigo deixar de imaginar a seguinte situação; se Rembrandt e Velázquez ressuscitassem, pedia-lhes para repintar, respectivamente, o quadro de Os síndicos do grémio de Tecidos (Rijksmuseum) e o retrato equestre do conde-duque de Olivares (Museu do Prado), só para ver o holandês colocar um computador sobre a mesa e o espanhol substituir o bastão por um telemóvel.

Representação desse engenho mecânico, que o homem barroco admira, é o relógio, que acrescenta a essa condição a da sua simbologia do tempo inexorável, assim juntando dois aspectos decisivos da Cultura barroca. Calderón faz do relógio imagem plena do maquinismo (De un castigo tres venganzas), e Bances Candano admira-o pela mesma razão. Outros exemplos de estima por inventos técnicos surgem em relação à Imprensa, à agulha de marear, à artilharia, etc. Já fizemos notar, no entanto, como a situação da sociedade espanhola, por serem nela asfixiados os interesses de novas classes, juntamente com suas novas actividades industriais, trouxe consigo um desvio da capacidade inovadora e, com ele, uma redução do gosto pelos artifícios às manifestações banais de uma curiosidade caprichosa. Não sei se a palavra "tracista", que na época se faz equivaler à de "engenheiro", traduz esse escasso nível do desenvolvimento técnico.

Seja como for, na mentalidade do espanhol da época barroca, encontra-se de um modo geral a satisfação suscitada por qualquer artifício, qualquer engenhosa invenção da arte humana que apareça como novidade.

In José Antonio MARAVALL, A cultura do barroco, Ed. Instituto Superior das Novas Profissões col. Estudo Geral, nº 8, Lisboa 1997, p. 312.

[1ª ed. espanhola - 1975]

13.8.04


Os banqueiros mundiais, que controlam o mundo globalizado de hoje por detrás dos reposteiros dos seus requintados gabinetes, deveriam atentar seriamente no significado da Sexta-Feira 13, dia azarado para os soberbos cavaleiros templários naquele já longínquo ano de 1307.
Nessa data, Jacques de Mollay e os seus sequazes perceberam a fragilidade do imenso tesouro que tinham acumulado à custa da agiotagem e das generosas comissões obtidas através de uma eficiente gestão de extensas propriedades fundiárias.
Enriqueceram de tal modo que, um dia, pensaram possuir poder económico capaz de amedrontar o rei de França e o próprio papa. Enganaram-se redondamente, porque o meio específico do exercício da soberania é a violência e não a astúcia da corrupção.
No limite, o poder político vê-se constrangido a romper a teia pacientemente urdida pelo poder económico para o dominar. E fá-lo sempre recorrendo à violência mais extrema, não hesitando em prender, torturar e, por fim, queimar em público, “espectáculo” com sucesso assegurado, pois nada agrada mais ao povoléu do que ver degradado, no patíbulo, quem o teve “na mão”

A ordem obteve a reputação de ser reservada e obcecada com rituais, e esta reputação, em conjunto com o enorme poder financeiro e militar dos Cavaleiros, foi provavelmente o motivo para a sua queda em 1307. A 13 de Outubro de 1307, uma sexta-feira (a origem da ideia de má sorte caindo numa sexta-feira 13), um número substancial de Cavaleiros do Templo em França foram presos por Filipe, O Belo de França. Muitos foram torturados e executados, e outros foram forçados a admitir que a ordem praticava actos heréticos [...]. O Papa Clemente V emitiu uma bula papal dissolvendo a ordem e, oficialmente, esta deixou de existir.

[In Simon COX, O Código Da Vinci descodificado, Ed. Publicações Europa-América, col. Portas do Desconhecido, nº 98, 5ª ed., Mem Martins 2004, p. 44]

Nesta Sexta-Feira 13, do mês de Agosto de 2004, conviria muito aos nossos banqueiros, que apresentam lucros chorudos em anos de crise económica, que reflectissem sobre a sua conduta no passado mês de Julho, quando fizeram sentir ao medroso inquilino do Palácio de Belém os “inconvenientes” de uma solução transparente para qualquer crise política, pelo menos numa democracia que se preze.
Quando a tibieza política infundir desprezo à opinião pública portuguesa (realidade que talvez não seja tão inverosímil como muitos julgam), então algum político, um tanto tresloucado, admito, irá mostrar aos banqueiros se o poder está na ponta das baionetas ou dos seus charutos.

Manuel Filipe Canaveira

30.7.04


Tenho defendido a ideia de que já estamos a assistir à lenta, mas inexorável, queda do Império Americano. Os que me ouvem olham-me de soslaio com cepticismo, julgando que vou citar Malcolm X para justificar a minha certeza.

Enganam-se redondamente. Longe de mim ir aos pré-históricos sessenta para convencer quem veio ao mundo já nos finais dos novíssimos oitenta. Eu, que nasci nos duros mas indómitos cinquenta (quando os europeus construíam a realidade com base na utopia) e cheguei à idade adulta nos desiludidos setenta (já ninguém julgava que a droga era um céu cravejado de diamantes), bem sei que o pior que pode suceder a um velho é ser olhado com complacência pelos jovens (ainda tenho gravado na mente a imagem do decrépito Sartre no auditório da Faculdade de Letras de Lisboa a ensinar-nos a ser revolucionários).

Não são lucubrações ideológicas mas simples testemunhos do dia a dia que me convenceram da decadência dos EUA. Numa visita recente a Amesterdão, em pleno Museum-plein (onde pululam os turistas que se dirigem ao Rijksmuseum e ao Museu Van Gogh) observei o consulado do Império rodeado de dezenas de barreiras de betão e de um exército de seguranças de olhar façanhudo e metralhadora apontada. De repente, percebi que se tirasse uma foto, sem correr o risco de ser preso por me julgarem da Al-Qaeda, talvez conseguisse convencer os amigos que tinha estado em Berlim no auge da Guerra Fria e aproveitara um momento de distracção dos guardas soviéticos. Como é óbvio, não arrisquei, porque a histeria securitária norte-americana, pelo menos desde o 11 de Setembro, pode aniquilar um pacato turista, mesmo que o Tribunal de Haia venha a provar que o coitado só achou piada à cena.

De volta a Lisboa, de novo me vejo confrontado com a decrepitude do sonho americano. Todos os dias, a caminho do trabalho, passo junto à embaixada dos EUA e, ao contrário do que sucede com a embaixada espanhola, francesa, brasileira, russa e, em boa verdade, da generalidade dos países, não vejo palácios nem parques frondosos, mas sim um “bunker” patrulhado por um autêntico exército luso-americano.

Pois é, Bin Laden e os seus sequazes já conseguiram o fundamental ao cercarem os EUA de muros de betão e arame farpado. Aquela que ainda há cinquenta anos era a terra da promissão, esperança de milhões de homens e mulheres de todo o planeta (the restless of Europe, assim os qualificava o meu manual de inglês do sétimo ano em homenagem ao seu inconformismo social), transformou-se num campo entricheirado.

Ora, um dia um cão sem eira nem beira apareceu no “stalag”. Os prisioneiros, que sonhavam com a América e com os americanos, deram ao cão o nome de Bobby, e o Bobby tomou o hábito de os cumprimentar com um alegre latido, tanto nas concentrações matinais como no regresso do trabalho. “Para ele – era incontestável – nós fomos homens.” [Emmanuel Lévinas, Nom d’un chien ou le Droit naturel, in Difficile Liberté] Mas este débil reconforto não podia durar muito: passadas algumas semanas as sentinelas expulsaram o animal importuno e o “último kantiano da Alemanha nazi” retomou a sua vadiagem.

[Alain FINKIELKRAUT, A humanidade perdida. Ensaio sobre o século XX, Ed. Edições Asa, col. Sinais (Asa Literatura), trad. de Pedro Támen, Lisboa 1997, p. 10.]

Alguém se lembraria hoje de dar ao cão um nome americano?

(Nota – A TSF acaba de noticiar um atentado suicida junto à embaixada dos EUA em Taskent, capital do Usbequistão)

MANUEL FILIPE CANAVEIRA

Imagem - Consulado dos EUA em Amesterdão (Maio de 2004)

25.7.04

Se eu lhe dissesse que o considerava um perfeito fascista, ele(a) reagiria com violência, ofendido por ver desrespeitado o seu passado anti-salazarista.

 

Se eu lhe dissesse que o considerava um perfeito fascista, ele(a) cortaria relações, ofendido por ver posto em causa o discurso neo-liberal proferido no congresso do partido.

 

Se eu lhe dissesse que o considerava um perfeito fascista, ele(a) voltar-me-ia as costas, por estar intimamente convencido dos seus ideais sociais-democratas.

 

Se eu lhe dissesse que o considerava um perfeito fascista, ele(a) perdoar-me-ia o despautério, tão convencido está da sua fé e misericórdia pelos humildes.

 

Se eu lhe dissesse que o considerava um perfeito fascista, ele(a) ......

 

Não consigo, porém, vê-lo(a) de outro modo. Fixei-lhe os olhos e tive a certeza de que, no momento das opções difíceis, irá mostrar a sua total incompreensão em relação ao direito inalienável que cada indivíduo tem  de buscar a sua própria felicidade. Nesse dia estenderá o braço e incendiará os espíritos simples gritando meias-verdades.

 

O fascismo sai do mais fundo de alguns homens. É como que uma reacção vital de um certo tipo humano que se sente ameaçado na sua alma, no seu coração, em tudo o que ama, encarece, venera, na sua própria existência, por estilos de vida e de pensamento para ele repugnantes e deletérios. Um tal estado emotivo ultrapassa em muito a tradução de uma situação económica.

 

[Roland MOUSNIER, As hierarquias sociais. De 1450 aos nossos dias, Ed. Publicações Europa-América, col. Colecção Saber, nº 80, Mem Martins 1974, p. 127.]

 

Lendo a polémica entre Erasmo e Lutero sobre o “servo-arbítrio” e o “livre-arbítrio”, percebe-se que o Fascismo, numa época em que Gentile ainda não nascera para o definir, já estava em gérmen na provinciana Vitemberga, incapaz de aceitar a cosmopolita Roterdão.

 

Manuel Filipe Canaveira


24.7.04

Puxei o exemplar do jornal regional entalado na ranhura do cacifo de correio.  Folheio-o distraidamente, lendo os títulos. “Estamos apaixonados”, afirma um futebolista presumido acompanhado da esposa loira.  “Paguem o que me devem”, clama outra loira armada em diva do pequeno écran. Entre diva e divã pouca diferença existe em termos ortográficos e, nas páginas centrais, um maricão (sub-espécie de homossexual) compraz-se todas as semanas a dar notas positivas aos mais ridículos e trapaceiros, brindando com negativas os sensaborões que descontam IRS nos rendimentos de trabalho honesto, mas por conta de outrém.
Um anúncio aqui e outro ali. Este vende uma casa com “fegão” de sala situada num penedo do Cacém. Enquanto não construírem outro prédio na frente, os compradores do vigésimo andar podem divisar, em dias de sol, o mar a cinco quilómetros. Bastam 200 mil euros e existirá mais um maravilhoso lar de “classe média” em Portugal. São 750 euros por mês, mas se o casal for jovem e só tiver 1000 euros de rendimento mensal, não há problema, porque existe sempre a possibilidade de realizar o empréstimo a quarenta anos (acabam de pagar o fogo aos setenta ou oitenta anos). Se o juro não subir - o que não é nada improvável (na opinião do governador do Banco de Portugal) - “também não há crise”, pois basta o pai de um deles ir ao banco caucionar a dívida (tem, com certeza, dinheiro para isso, porque já acabou de pagar o empréstimo da casa que comprou no centro do Cacém ou então paga 10 euros numa casa alugada pelos defuntos avós dele –do pai, entenda-se- num bairro lisboeta).
No anúncio do lado aparece a fotografia de uma vivenda com vários quartos, suite, um grande “wall” e garagem para dois carros (sendo um deles  um “clássico”), uma carrinha de 9 lugares, um jipe e uma moto Harley Davidson para ir à concentração “motard” de Faro disfarçado de “enfant terrible”, porque isto de andar sempre de fato e gravata pelos corredores da administração da multinacional também cansa e, temos de reconhecer, não dá o ar jovial que um bom neo-liberal deve ter, mormente para não ficar absolutamente igual ao liberal bigodudo e de lunetas que está no quadro da sala de reuniões do conselho de administração.
Ah! Já me ia esquecendo, a moradia com “wall” amplo custa um milhão de euros.  Pouca coisa, para gente tão distinta, mas se for necessária uma ajudazinha bancária basta mostrar ao gerente de conta o IRS com descontos sobre o ordenado mínimo nacional, juntando o amável convite para um passeio no iate que está ancorado algures no Mediterrâneo ou no Caribe. Num cantinho da página das palavras cruzadas e das adivinhas, parecendo pedir desculpa por o terem posto ali, o seguinte poema:

Naquele piquenique de burguesas
Houve uma coisa simplesmante bela
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher.............................

 
TRIMMMMMMMM. Tocou o despertador. Acordo estremunhado no melhor momento. Pouca sorte, fiquei a meio...

(Nota – Felizmente O livro de Cesário Verde encontrava-se sobre a mesa-de-cabeceira. A marca de leitura estava na página do poema De Tarde.)
MANUEL FILIPE CANAVEIRA



É a pessoa ideal para desempenhar as funções de secretária de estado da defesa. Ainda por cima é mulher. Que mais poderíamos desejar, diz Paulo Portas exultante.
Mas Pedro Santana Lopes gosta de exibir o seu poder. Afinal quem manda? E andam os papalvos a pensar que foi um simples erro ou, então, pura incompetência.
O primeiro-ministro pode não ser um bom governante, admito, mas temos de concordar que no jogo palaciano é óptimo. Com estas “finuras” de cortesão já pôs o seu amigo Paulo a fazer figura de idiota em duas ocasiões solenes.
Quanto à Teresa Caeiro, ninguém duvida que se o Pedro e o Paulo a nomeassem agora secretária de estado dos direitos dos columbófilos amadores, ela aceitava o cargo sem pestanejar, porque a sua competência está acima de qualquer dúvida e o seu apego ao serviço público é manifesto.
Por isso, pelo seu imenso mérito e, também, devido ao belo espactáculo que já nos proporcionou, daqui lhe envio, em jeito de saudação, este judicioso pensamento de La Bruyère:


Que faire d’Égésipe, qui demande un emploi? Le mettra-t-on dans les finances, ou dans les troupes? Cela est indifférent, et il faut que ce soit l’intéret seul qui en décide; car il est aussi capable de manier de l’argent, ou de dresser des comptes, que de porter les armes. “Il est propre à tout”, disent ses amis, ce qui signifie toujours qu’il n’a plus de talent pour une chose que pour une autre, ou en d’autres termes, qu’il n’est propre à rien.

[La Bruyère, Les Caractères ou les mœurs de ce siècle, Ed. Gallimard, col Folio classique, nº 693, Paris 2001, p. 46 (Do Mérito Pessoal, 10)].

Nota - Se não consegues ler em francês tanto pior para ti. Fica desde já ciente da impossibilidade de um dia poderes vir a ser “eleito” Presidente da Comissão da União Europeia.

Manuel Filipe Canaveira

23.7.04


As escolares portuguesas maiores de catorze anos, quando pressentem que um qualquer Ronaldo vai mostrar o peito depilado num rectângulo verde riscado de linhas brancas, amarram a bandeira das quinas no peito generoso e, ala que se faz tarde, vão para a porta do centro de estágios dar gritinhos histéricos.
Os pais, compassivos, abanam a cabeça e, com um sorriso algo envergonhado, tentam convencer-nos que elas também já gostam de futebol. Mas eu digo-vos que desconfio muito das meninas que dizem adorar ver vinte e dois matulões a correrem atrás de uma bola. A sensibilidade feminina não pode ter mudado tanto nos últimos dez anos.
Melhor será atribuir este entusiasmo à crise económica. Como é óbvio, as meninas já perceberam que um “matulão” daqueles vale ouro, sendo, nos tempos que correm, um passaporte seguro para o sonho consumista.
Se assim for, então a sensibilidade das adolescentes portuguesas continua a ser aquilo que sempre foi.


Se n‘outro tempo houve alguma bela
Que a amor só desse o cono penugento,
Isso foi, já não é; que o mais sebento
Cagaçal quer durázia caravela:

[Bocage, Antologia de poesia erótica, Ed. Dom Quixote, col. Biblioteca de Bolso (Literatura), n°51, organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral, Lisboa 2003, p.77]

Aditamento (Outubro de 2005)
As "escolares" inglesas também...
As outras, que já nem escolares são, preferem os hotéis...

Manuel Filipe Canaveira

21.7.04


Vítor, o dragão, atravessou a cambalear o arco abobadado da Grande Galeria. Estendeu as mãos para o quadro mais próximo, um Caravaggio, Agarrando a moldura de madeira dourada, puxou-a para si até arrancá-la da parede, e então caiu de costas, enrodilhado debaixo da grande tela.

Traçadas em letras luminescentes, as derradeiras palavras de Vítor refulgiam em tons púrpura ao lado do cadáver: Scolari, convoca-me, sou eu que tenho a “Madona”

In "O Código Baía"

Nota (1) O Blogblague confessa que plagiou dois pequenos parágrafos do notável livro de Dan Brown O Código Da Vinci)

Nota (2) O texto está em azul porque este dragão não é verde

MANUEL FILIPE CANAVEIRA

14.7.04

Não podemos deixar de reconhecer que o primeiro-ministro indigitado ao indicar o Dr. Bagão Félix para a pasta das finanças cumpriu, estritamente, aquilo que há dias prometeu ao Presidente da República; ou seja, escolheu uma personalidade de reconhecido mérito para continuar e, até, reforçar a política que já vinha sendo seguida.
Compreende-se o dilema do Dr. Santana Lopes. Perante o sério aviso presidencial de que não seriam toleradas tergiversações em matéria de controlo das finanças públicas, o candidato à chefia do governo não podia correr o risco de preferir uma personalidade afecta ao PSD, pois o Dr. Jorge Sampaio decerto iria ficar preocupado com as tentações esquerdistas que às vezes assaltam os sociais-democratas.
Com efeito, com um ministro próximo do Partido Popular, o Sr. Presidente da República pode dormir tranquilo, pois nenhum social-democrata e, ainda menos, socialista, irá desbaratar os dinheiros públicos.
Triste sorte a minha,português da classe média,que estou condenado à ironia.
Nota (1)
Ironia – Aquilo que apresenta contraste frisante com o que logicamente devia ser.
[Grande Dicionário da Língua Portuguesa, coordenação de José Pedro Machado, vol. VI, p. 230.]

Nota (2) O texto vai impresso com as cores do PP, porque ele é, no govertno de Santana Lopes, "O Partido" 
MANUEL FILIPE CANAVEIRA