13.8.04


Os banqueiros mundiais, que controlam o mundo globalizado de hoje por detrás dos reposteiros dos seus requintados gabinetes, deveriam atentar seriamente no significado da Sexta-Feira 13, dia azarado para os soberbos cavaleiros templários naquele já longínquo ano de 1307.
Nessa data, Jacques de Mollay e os seus sequazes perceberam a fragilidade do imenso tesouro que tinham acumulado à custa da agiotagem e das generosas comissões obtidas através de uma eficiente gestão de extensas propriedades fundiárias.
Enriqueceram de tal modo que, um dia, pensaram possuir poder económico capaz de amedrontar o rei de França e o próprio papa. Enganaram-se redondamente, porque o meio específico do exercício da soberania é a violência e não a astúcia da corrupção.
No limite, o poder político vê-se constrangido a romper a teia pacientemente urdida pelo poder económico para o dominar. E fá-lo sempre recorrendo à violência mais extrema, não hesitando em prender, torturar e, por fim, queimar em público, “espectáculo” com sucesso assegurado, pois nada agrada mais ao povoléu do que ver degradado, no patíbulo, quem o teve “na mão”

A ordem obteve a reputação de ser reservada e obcecada com rituais, e esta reputação, em conjunto com o enorme poder financeiro e militar dos Cavaleiros, foi provavelmente o motivo para a sua queda em 1307. A 13 de Outubro de 1307, uma sexta-feira (a origem da ideia de má sorte caindo numa sexta-feira 13), um número substancial de Cavaleiros do Templo em França foram presos por Filipe, O Belo de França. Muitos foram torturados e executados, e outros foram forçados a admitir que a ordem praticava actos heréticos [...]. O Papa Clemente V emitiu uma bula papal dissolvendo a ordem e, oficialmente, esta deixou de existir.

[In Simon COX, O Código Da Vinci descodificado, Ed. Publicações Europa-América, col. Portas do Desconhecido, nº 98, 5ª ed., Mem Martins 2004, p. 44]

Nesta Sexta-Feira 13, do mês de Agosto de 2004, conviria muito aos nossos banqueiros, que apresentam lucros chorudos em anos de crise económica, que reflectissem sobre a sua conduta no passado mês de Julho, quando fizeram sentir ao medroso inquilino do Palácio de Belém os “inconvenientes” de uma solução transparente para qualquer crise política, pelo menos numa democracia que se preze.
Quando a tibieza política infundir desprezo à opinião pública portuguesa (realidade que talvez não seja tão inverosímil como muitos julgam), então algum político, um tanto tresloucado, admito, irá mostrar aos banqueiros se o poder está na ponta das baionetas ou dos seus charutos.

Manuel Filipe Canaveira