19.12.06



NÃO COMENTAMOS
Assim reagiu José Sócrates quando instado pelos jornalistas a dar a sua opinião sobre o vigoroso ataque dirigido ao Banco Central Europeu por Ségolène Royal - que é ainda é só candidata e não presidente da República Francesa, facto que, reconheçamos, não a torna assim tão heroína quanto isso (Semanário SOL de 16/12/2006, Confidencial – Economia & Negócios, p. 7).
É certo que o homónimo ateniense, o grande SÓCRATES, teria dito mais, mas esse tinha a mania de comentar tudo, razão por que teve de levar aos lábios o cálice cicuta.
O “pequeno” Sócrates fez como todo o bom português, “fingiu-se de mula” e ficou silencioso (o SILÊNCIO é de ouro, ouvia eu dizer ao povoléu lá dos tempos do salazarismo). Evitou engolir o veneno, mas também perdeu a oportunidade de ficar nos anais nacionais, porque dos espertinhos não reza a HISTÓRIA (nem a de Portugal).
Mas, convenhamos, sempre agiu melhor do que os doutores Paulo Portas, José Ribeiro e Castro e José Miguel Júdice, que preferiram desejar aos jornalistas um FELIZ NATAL embrulhado em sorrisos mefistofélicos, atitude própria daqueles que não têm nada para dizer ou não sabem o que dizer. Ou será que andam armados em tacitistas e, quais príncipes barrocos de pacotilha, adoptaram a atitude da melifluidade cortesã numa república pós-autoritária que, para se assumir de vez como democrática, necessita de gente de outro género para a servir?