13.6.09


HONRA

A defesa da Honra quando é entendida como uma sucessão de imposições sobre os outros, mesmo que estes sejam de jure nossos subordinados, torna-se uma causa de desordem e de excessos que fragiliza as organizações e, num sentido mais amplo, a ordenação do todo social.
Ao contrário, quando entendemos a Honra não como uma máscara do nosso egocentrismo exacerbado, mas sim como uma forma de combate à arbitrariedade, promovemos o equilíbrio perdido e, embora parecendo que momentaneamente estamos a subverter a ordem estabelecida, na verdade o que fazemos é restaurá-la nos seus devidos termos.
É por isso que a cortesania versalhesca antecedeu a soberania popular, a qual, por sua vez, ainda que jacobina na prática, era, na sua essência, a base segura da soberania nacional, como o demonstraram implicitamente Constant, Collard, Guizot e Silvestre Pinheiro Ferreira.

Facteur de désordre et d’excès, l’honneur peut être aussi composante d’un équilibre, d’une harmonie dans les rapports humains. C’est ce que signifiait Théophraste Renaudot, cité au début de cet article: Le point d’honneur n’est autre chose qu’un désir de “nous faire croire tels que nous sommes”. C’est cette facade classique de l’honneur que décrivent Descartes et Montesquieu, dans les relations interindviduelles et dans le système politique.
[François BILLACOIS, Flambée baroque et braises classiques, in L’honneur. Image de soi ou don de soi un idéal équivoque, dirigido por Marie Gautheron, col. Série Morales, nº 3, Paris 1991, p. 74.]

MANUEL FILIPE CANAVEIRA