14.4.13







A História é uma ciência que demora a fazer

Luís Reis Torgal na apresentação da obra de Malheiro da Silva sobre Sidónio Pais em 21 de Junho de 2006

     A solenidade da História não pode ser confundida com a vulgaridade da historiografia. É como a beleza feminina, existe a serena e a grosseira. 
     O mesmo acontece com o romance histórico, mas aí é mais fácil distinguir a majestade de um Pêndulo de Foucault da banalidade de uma qualquer historieta passada no século XVI ou no Egipto Antigo. No caso da ficção histórica, com efeito, não basta conhecer metodologias de investigação, também se requer talento... literário.
     A razão por que a História demora a ser escrita deve-se ao facto de ela exigir reflexão, ao passo que a historiografia quase só requer a localização e cópia de documentos; ou seja, a primeira é hermenêutica e a segunda é apenas heurística (no caso português, quase sempre entendida de modo básico, pois nem sequer existe uma estratégia de busca previamente gizada).
     É evidente que nenhuma delas existe sem a outra. Achar o documento, porém, é somente "descobrir" o bloco de pedra que pode "conter" a Pietá, ao passo que a reflexão é a certeza que a Pietá está mesmo lá, e só precisa do génio do escultor para a "arrancar" do pedregulho.

14-04-2013